Como Tudo Começou:

A Comunidade S8 nasceu com a missão de promover a prevenção ao uso e abuso de drogas e o tratamento do dependente químico, a partir de uma atitude apartidária. Naquele tempo (1971), ainda não havia o grito social em favor das minorias, a conscientização coletiva de integração social, muito menos, a reinserção social daqueles que se afundaram nos equívocos inegáveis da dependência de drogas licitas ou ilícitas. Foi fundada com o ideal de servir àqueles que eram doentes, sofriam muita discriminação social e incompreensão do drama que viviam e não tinham o olhar do poder público sobre si. A dependência química era considerada um defeito moral e não uma doença. Os excluídos eram acolhidos por alguns poucos representantes da sociedade civil, já que, à época, políticas públicas ainda não haviam sido construídas para atender essa população adoecida a partir do movimento da contracultura: quando o uso e abuso drogas foi incentivado de tal forma que provocou hoje um complexo problema de saúde pública.

 

 

Contexto Histórico e as Relações Humanas

Essa época se traduzia por um ideal de paz e amor universais, um novo estilo de pensar, de agir, e de se relacionar com as pessoas e o mundo. O uso de drogas se inseria nessas circunstâncias com o objetivo de contestar a sociedade consumista e individualista. Em 1970, as mortes, por overdose, de importantes representantes do acid rock abalaram a relação entre a música e as drogas. Os ídolos dessa revolução individual e cultural proclamaram “o sonho acabou”. A partir daí, muitos começaram a buscar por conta própria um caminho a seguir: pessoas criativas, idealistas, inteligentes, sensíveis, inconformadas e que precisavam de um espaço acolhedor para expressar seus dons e talentos de forma produtiva para as suas vidas e para a sociedade; pessoas com problemas relacionados ao uso das drogas; pessoas que se sentiam desconfortáveis com a vida que viviam; pessoas que estavam buscando sentido para suas vidas, marginalizadas pela sociedade e sem direção. Em Niterói-RJ, a realidade não era diferente, o uso de drogas era intenso, principalmente entre adolescentes. O Dr. Geremias de Mattos Fontes, ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, casado, pai de 07 filhos adolescentes, que tinham muitos amigos usuários de drogas, percebe a necessidade de abrir um espaço em sua casa para acolher esses que queriam mudar e ainda sonhavam e buscavam um mundo melhor. Os adolescentes começaram a aparecer neste local onde se faziam reuniões com muita música e estudos de princípios bíblicos, lanches comunitários, jogos de vôlei, atendimentos individuais, grupos de bate-papo, tingimento de camisetas, artesanatos e etc. Os familiares dos adolescentes e jovens também chegavam para conhecer onde seus filhos estavam. E mais e mais pessoas vinham buscar um espaço onde podiam expressar seus medos, suas desilusões, sua arte, sua sensibilidade. Os anseios desse segmento desiludido encontraram acolhida na Comunidade S8, que, à época, já praticava um tipo de gerência social espontânea, com seus beneficiários tendo direito à fala e até incluindo em sua direção, usuários do serviço que já estavam sóbrios e reinseridos socialmente. O movimento cresceu e em 22 de setembro de 1971, a Organização Não Governamental (ONG) foi legalmente fundada como uma sociedade civil, sem fins lucrativos, e, mais tarde, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, presidida pelo Dr. Geremias de Mattos Fontes.  

 

 

Fontes de Recursos e a Manutenção das Atividades:

O trabalho foi se desenvolvendo e as atividades da instituição eram mantidas através de uma grande estamparia, gravação de discos e confecção de artesanatos. Em julho de 1999, a estamparia, atingida em anos anteriores por planos econômicos malogrados, é completamente desativada, deixando a instituição sem a sua principal fonte de recursos e de reinserção social. A manutenção da Comunidade S8, então, passa a ser viabilizada por venda de CDs e doações de pessoas físicas e jurídicas, através de telemarketing. Atualmente a S8 busca novamente a auto sustentabilidade, não como auto-suficiência, mas como consequência de comunicação e de relações sociais; como desafio de responsabilidade, de justiça, de co-responsabilidade e autonomia. Em 1972, com a doação de uma chácara em Marambaia, São Gonçalo, RJ, os adolescentes e jovens foram acolhidos e tratados em “residências terapêuticas”, denominadas “Casas S8”.

 

Os Desdobramentos de Nossas Atividades: Escola S8 e Casas S8

Em 1982 foi fundada a Escola S8, para atender aos filhos dos dependentes químicos, com uma proposta pedagógica voltada para uma educação preventiva baseada em princípios de vida que proporcionam a construção de um caráter positivo. Hoje atende a mais de 250 alunos da comunidade local. Em 1983 iniciamos um Centro de Internação com 15 vagas masculinas e profissionais especializados.

 

Parceria com o Estado e as Clínicas de Tratamento ao Dependente Químico

Em dezembro de 1999, através da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos – SEASDH, foi estabelecido um convênio com a Comunidade S8, em conformidade com a Lei Federal n o  8666/93 e implementada a Primeira Clinica para Tratamento de Dependentes Químicos, primeiramente denominada, Clínica Michelle de Moraes, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Desde então, esta clínica já atendeu mais de 10.000 internos, prestou assistência a mais de 29.000 familiares e apoiou no processo de pós-internação mais de 3.000 dependentes químicos e familiares. Em 2003 a Comunidade S8 recebeu o Diploma de “Mérito pela Valorização da Vida” – concedido pela Secretaria Nacional Antidrogas – SENAD, por seu trabalho realizado em 32 anos de atividades em prol do bem social.  

 

Timeline: História Recente e as Novas Ações de Impacto na Sociedade

Em 2004, iniciamos o projeto “S8 em Movimento”, com a colaboração de dedicados voluntários, muita economia e simplicidade. Através de atividades esportivas, artesanais, e culturais, buscamos transformar situações de risco em possibilidades e promover a inclusão social com uma educação conscientizadora. O projeto “S8 em Movimento” beneficiou até 2010 em torno de 1750 pessoas – adultos, jovens, adolescentes e crianças. Em 2005, o projeto “S8 em Família”, constituído de encontros com familiares da Escola S8 e do Projeto “S8 em Movimento”, instala-se como um investimento no relacionamento familiar buscando a prevenção ao uso indevido de drogas. Já atendemos mais de 1000 famílias e continuamos a atender cerca de 100 familiares por ano. Em 2009, o projeto "Para Aprender Melhor", em parceria com o Instituto UNIBANCO atendeu mais de 100 crianças da comunidade local, promovendo reforço escolar com atividades esportivas e musicais. Em 2010, a parceria com a AVEC – Associação Vitória em Cristo – nos deu a possibilidade de dar continuidade ao projeto "Para Aprender Melhor", com o propósito de oferecer alternativas que transformem a realidade das crianças e adolescentes que estão sem oportunidades de melhor qualidade de vida. Já foram beneficiadas de 2010 a 2015, mais de 2100 crianças e adolescentes. Em 2011, com parceria de um amigo da instituição, foi realizada uma reforma no galpão de 600m², onde funcionava a estamparia, transformando-o em uma quadra poliesportiva, e oferecemos, então, aulas de futsal e vôlei. Ainda em 2011, inauguramos a Casa de Acolhimento S8 – área de 3600m², com alojamentos, cozinha, varanda, banheiros, campo de futebol, piscina, em Vista Alegre, São Gonçalo, para acolhimento à dependentes químicos, oferecendo moradia provisória, alimentação, atividades diversificadas, atendimento individual e em grupos e atividades laborais, com o objetivo de dar suporte aqueles que estão em vulnerabilidade social, para que ele possa retornar ao mercado de trabalho e à família. Desde então acolhemos em torno de 650 portadores de dependência química. Em 2012, em parceria com o Instituto Coca-Cola, iniciamos um curso de preparação para o mercado de varejo – Programa Coletivo Coca-Cola. Foram beneficiadas de 2012 a 2015, mais de 1400 jovens. Ainda em 2012, em convênio com a Prefeitura de Campos-RJ, implantamos a Clinica de Reabilitação para Tratamento de Dependentes Químicos. Foram atendidos, de 2012 a 2015, 1267 portadores de dependência química e em torno de 3800 familiares. A Comunidade S8 tem se comprometido eticamente com uma oferta de serviços que responda às necessidades do beneficiário e que permaneça em constante aprendizado e reflexão para o aprimoramento do trabalho e construção da cidadania. Os projetos têm 100% de gratuidade e a Escola S8, oferece bolsa de 50% a todos os seus alunos.  

 

Onde Chegamos

A partir de sua história e experiência, a Comunidade S8 tem, como missão, a tarefa de contribuir para a transformação de vidas, a partir de uma visão integral do ser humano, promovendo a prevenção ao uso e abuso de álcool e outras drogas, o tratamento do portador de dependência química, a reinserção social e a orientação e apoio aos familiares. Tem como principais objetivos: promover a justiça social através da inclusão; contribuir para transformar a realidade social daqueles que estão sem alternativas; promover e defender os direitos da criança, adolescente, jovem, adulto e dependente químico; investir na formação e transformação do caráter da criança, adolescente, jovem e adulto como forma efetiva de fazer prevenção; lutar contra as desigualdades sociais e pelos direitos dos dependentes químicos; estimular a autonomia como requisito básico para aquisição e manutenção da cidadania; estimular a consciência da necessidade de um desenvolvimento com sustentabilidade socioambiental. O público-alvo da instituição são crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos – todos os que estão vulnerabilizados pela exposição e consumo de drogas na sociedade.

Articulação com a Sociedade e Reconhecimentos:

 

Atualmente a COMUNIDADE S8 tem como canais de articulação os seguintes equipamentos e sites que divulgam o trabalho realizado:

 

Participação nos Conselhos:

 

  • CEPOPD – Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas;
  • CMDCA – Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente de São Gonçalo;
  • CMDM – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher;
  • COMAD – Conselho Municipal AntiDrogas de São Gonçalo.

 

Considerações Finais

 

A Comunidade S8 tem consciência que desempenha importante papel na sociedade contemporânea, pois atua no espaço público, mesmo não sendo estado, e no setor privado, mesmo com fins não lucrativos, constituindo-se como uma referência institucional original própria representante de parte da sociedade civil, construindo com suas ações, capital social, confiança e valores compartilhados. Atua como agente de transformação social, crendo ser possível alterar o estado das coisas na direção de uma sociedade mais igualitária e menos excludente.